quarta-feira, 9 de setembro de 2015
domingo, 21 de setembro de 2014
E a viagem chega ao fim!
De Cabo Ledo fomos à Kissama. A entrada no parque nem é cara, já a estadia e a comida achei demais. Fizemos um passeio de barco e um de camião (nenhum deles está incluído). Tive pena de não ver os elefantes, mas adorei as girafas.
Depois da Kissama só dormimos mais uma noite fora de Luanda, na Barra do Kwanza.
A foz do rio é linda e o resort Kwanza Lodge está muito acolhedor. Fizemos um passeio de barco e vimos um jacaré.
Da Barra do Kwanza voltamos a Luanda, parando no Miradouro da Lua e no Museu da Escravatura, que infelizmente estava fechado.
Nesse dia almoçamos com a Alice e a neta dela, a Hyane, e depois fomos ao mercado do artesanato em Benfica e a casa da Alice em Talatona. Por viver ali, ela sai de casa todos os dias às 4.30 da manhã para poder chegar a horas à clínica, seja a da Mutamba ou a da Sagrada Família na Ilha. Chega lá cedo demais, e por isso dorme um pouco antes de começar a trabalhar. Mas se sair de casa 10 ou 15 minutos mais tarde, já só entra em Luanda com quase 2 horas de atraso. Que vida!
Durante a última semana dediquei o tempo a tentar resolver o problema do BI. Já tinha um como solteira, tinha de tratar dos outros 2. Fui pedir mais uma certidão (só aceitam pedidos à segunda e terça), que fui buscar na quinta. "Mãe, a certidão está pronta.........mas não está assinada. Senta um pouco, já vai sair." Quatro horas depois saíu mesmo! Nesse dia já não deu para ir ao arquivo de identificação da Ilha. Sexta de manhã, a pé e de candongueiro, estava lá cedinho. Desta vez tive a sorte de encontrar alguém muito simpático que me explicou que se eu tirasse fotocópias dos meus documentos, e pagasse 2 BIs, podia fazê-los no mesmo dia! Feliz, tratei das cópias e do pagamento e fiz a bicha. Foi rápido fazer o primeiro, como casada. O BI é pràcticamente instantâneo, mas quando fui levantar... "Mãe, o problema que estamos com ele é que a máquina não está a imprimir! Agora só na segunda!" Segunda, o meu último dia, passei-o no arquivo. À minha pergunta ao chegar, responderam: "Sim mãe, a máquina já está a imprimir....mas não tem sistema!" Tentei explicar que eu nem precisava do tal BI, pois teria de tirar logo o outro como divorciada. Não, sem este não se pode fazer o próximo! Não teve sistema até às 3 da tarde, hora a que finalmente saíu....como casada...com apelido Salavisa....e já não aceitavam mais pedidos nessa tarde!
É a minha terra, né? Fazer o quê? O melhor é encarar a coisa de modo relaxado, como Angolana que sou! A parte positiva é que tenho BI! A parte negativa é que tenho BI com um apelido que já não é meu há mais de 30 anos! Mas tenho documento e a minha nacionalidade já não está em dúvida!
Sábado foi dedicado aos primos e a um passeio até à Barra do Dande. Domingo foi dia de mergulho perto do Mussulo.
A hora da partida segunda à noite chegou rápida demais.
Chegava ao fim um mês de férias, 17 dias de viagem de carro, 4200km. As férias não foram baratas, mas também não custaram os 30.000 USD que me tinham pedido.
À família (de sangue e também a de coração que escolhi eu mesma) nunca poderei expressar a minha gratidão pela maneira como nos acolheram e por tudo o que fizeram. Fiquei muito feliz por conseguir ver os afilhados e alguns amigos. Os que desconsegui de ver/contactar espero que compreendam e me perdoem, mas o tempo nunca é suficiente para fazer tudo o que queremos, principalmente se temos de tratar de documentos. De resto, tenciono voltar - afinal de contas ainda tenho um BI para tratar!
Depois da Kissama só dormimos mais uma noite fora de Luanda, na Barra do Kwanza.
A foz do rio é linda e o resort Kwanza Lodge está muito acolhedor. Fizemos um passeio de barco e vimos um jacaré.
Da Barra do Kwanza voltamos a Luanda, parando no Miradouro da Lua e no Museu da Escravatura, que infelizmente estava fechado.
Nesse dia almoçamos com a Alice e a neta dela, a Hyane, e depois fomos ao mercado do artesanato em Benfica e a casa da Alice em Talatona. Por viver ali, ela sai de casa todos os dias às 4.30 da manhã para poder chegar a horas à clínica, seja a da Mutamba ou a da Sagrada Família na Ilha. Chega lá cedo demais, e por isso dorme um pouco antes de começar a trabalhar. Mas se sair de casa 10 ou 15 minutos mais tarde, já só entra em Luanda com quase 2 horas de atraso. Que vida!
Durante a última semana dediquei o tempo a tentar resolver o problema do BI. Já tinha um como solteira, tinha de tratar dos outros 2. Fui pedir mais uma certidão (só aceitam pedidos à segunda e terça), que fui buscar na quinta. "Mãe, a certidão está pronta.........mas não está assinada. Senta um pouco, já vai sair." Quatro horas depois saíu mesmo! Nesse dia já não deu para ir ao arquivo de identificação da Ilha. Sexta de manhã, a pé e de candongueiro, estava lá cedinho. Desta vez tive a sorte de encontrar alguém muito simpático que me explicou que se eu tirasse fotocópias dos meus documentos, e pagasse 2 BIs, podia fazê-los no mesmo dia! Feliz, tratei das cópias e do pagamento e fiz a bicha. Foi rápido fazer o primeiro, como casada. O BI é pràcticamente instantâneo, mas quando fui levantar... "Mãe, o problema que estamos com ele é que a máquina não está a imprimir! Agora só na segunda!" Segunda, o meu último dia, passei-o no arquivo. À minha pergunta ao chegar, responderam: "Sim mãe, a máquina já está a imprimir....mas não tem sistema!" Tentei explicar que eu nem precisava do tal BI, pois teria de tirar logo o outro como divorciada. Não, sem este não se pode fazer o próximo! Não teve sistema até às 3 da tarde, hora a que finalmente saíu....como casada...com apelido Salavisa....e já não aceitavam mais pedidos nessa tarde!
É a minha terra, né? Fazer o quê? O melhor é encarar a coisa de modo relaxado, como Angolana que sou! A parte positiva é que tenho BI! A parte negativa é que tenho BI com um apelido que já não é meu há mais de 30 anos! Mas tenho documento e a minha nacionalidade já não está em dúvida!
Sábado foi dedicado aos primos e a um passeio até à Barra do Dande. Domingo foi dia de mergulho perto do Mussulo.
A hora da partida segunda à noite chegou rápida demais.
Chegava ao fim um mês de férias, 17 dias de viagem de carro, 4200km. As férias não foram baratas, mas também não custaram os 30.000 USD que me tinham pedido.
À família (de sangue e também a de coração que escolhi eu mesma) nunca poderei expressar a minha gratidão pela maneira como nos acolheram e por tudo o que fizeram. Fiquei muito feliz por conseguir ver os afilhados e alguns amigos. Os que desconsegui de ver/contactar espero que compreendam e me perdoem, mas o tempo nunca é suficiente para fazer tudo o que queremos, principalmente se temos de tratar de documentos. De resto, tenciono voltar - afinal de contas ainda tenho um BI para tratar!
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Makas em Cabo Ledo
De Porto Amboim fomos para Cabo Ledo. Cinco kms antes da picada que leva à praia enfrentamos o que poderia ter sido o problema mais grave da nossa viagem. Mandaram-nos parar num controle da polícia na estrada. Não foi a primeira vez, foi talvez a décima, mas a diferença neste controle foi que o agente que nos pediu os papéis foi o primeiro que realmente fez uma verificação séria dos documentos. E ao contrário dos outros agentes, descobriu uma irregularidade: o carro não tinha o seguro em dia, tinha expirado em Fevereiro. É necessário explicar aqui que ao fim de muitos anos de bagunça, agora há uma lei em Angola que obriga os proprietários de automóvel a terem seguro - e a polícia de trânsito é extremamente rigorosa a exigir o cumprimento da lei. Expliquei que era carro alugado, que a culpa não era nossa e sim da companhia de aluguer, mas o agente estava decidido a confiscar os documentos. Ora sem documentos, não podíamos ir a parte nenhuma. Liguei para a companhia que nos alugou o carro - disseram-me que o carro tinha seguro, só que por lapso não tinham colocado a prova no carro. Dei o telemóvel ao agente que lhes disse que não queria saber, se o carro não tinha o comprovativo não saíamos dali! Falei com o indivíduo da Win que me disse que se eu tivesse internet me mandava o comprovativo - claro que eu não tinha internet! Sugeriu-me também que oferecesse gasosa ao agente - recusei, claro, o agente parecia-me uma pessoa séria, não estava a implicar connosco, tinha simplesmente dado conta que estávamos a infringir a lei. Se lhe oferecesse gasosa poderia ofender-se e aí já não era a Win que tinha problemas, era eu - e bem graves, a tentar subornar um agente da polícia! Ficamos ali quase meia hora, eu cada vez mais stressada e nervosa, mas sempre a conversar com o agente no meu melhor sotaque Angolano, a explicar que o carro era novo e por isso não acreditava que o alugassem sem seguro e que apesar de termos pago tão caro pelo aluguer íamos ter as férias estragadas por causa de um imbecil que não tinha feito o trabalho dele. Finalmente o agente compadeceu-se, disse-me que não era preciso chorar "mamã", devolveu-me os documentos e desejou-nos boas férias.
O suspiro de alívio que soltei nem teve tempo de sair todo cá para fora, já que 2 kms à frente havia outro controle. A tremer entreguei de novo os documentos mas quando o agente me perguntou se as férias estavam a começar ou a terminar não hesitei: lancei-me de um só fôlego no relato pormenorisado da viagem, incluindo a boleia que deramos a um agente da polícia no Namibe, a decepção de não ter visto os hipopótamos, os cadernos e lápis de cor que tínhamos deixado nas escolas.... Com a conversa, distraíu-se e nem viu os documentos em condições! Desta vez o suspiro lá saíu e a primeira coisa que fizemos ao chegar a Cabo Ledo foi pedir à Win que enviasse o justificativo do seguro por email e pedir ao Dionísio que o imprimisse. Claro que depois de termos a prova na mão nunca mais nos pediram que a mostrassemos.
Cabo Ledo proporcionou-nos um bom descanso e alívio de tanto stress. Ficamos na Carpe Diem e assisti a um lindo por do sol Angolano enquanto bebia uma caipirinha - por motivos puramente medicinais, com vista a aliviar o tal stress.
O suspiro de alívio que soltei nem teve tempo de sair todo cá para fora, já que 2 kms à frente havia outro controle. A tremer entreguei de novo os documentos mas quando o agente me perguntou se as férias estavam a começar ou a terminar não hesitei: lancei-me de um só fôlego no relato pormenorisado da viagem, incluindo a boleia que deramos a um agente da polícia no Namibe, a decepção de não ter visto os hipopótamos, os cadernos e lápis de cor que tínhamos deixado nas escolas.... Com a conversa, distraíu-se e nem viu os documentos em condições! Desta vez o suspiro lá saíu e a primeira coisa que fizemos ao chegar a Cabo Ledo foi pedir à Win que enviasse o justificativo do seguro por email e pedir ao Dionísio que o imprimisse. Claro que depois de termos a prova na mão nunca mais nos pediram que a mostrassemos.
Cabo Ledo proporcionou-nos um bom descanso e alívio de tanto stress. Ficamos na Carpe Diem e assisti a um lindo por do sol Angolano enquanto bebia uma caipirinha - por motivos puramente medicinais, com vista a aliviar o tal stress.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Rumo ao Kwanza Sul
Deixámos o Lobito sem precalços, o que foi estranho, pois nessa manhã entramos numa rua de sentido único em contramão - mas pelo menos não o fizemos na Restinga como a Sacha e o Marc! Fomos mais discretos e por isso escapamos sem ser vistos pela polícia.
Rumamos ao Sumbe, passando pelo desfiladeiro do rio Cubal, que continua impressionante. Tenho fotos tiradas lá há uns 40 anos - o desfiladeiro não envelheceu, não se nota a passagem do tempo, mas infelizmente o mesmo não se pode dizer em relação a mim!
Almoçamos no Sumbe, na marginal, mas como queríamos ir dormir à Gabela, não perdemos tempo. Tínhamos deixado o restaurante quando notamos que éramos seguidos por uma moto e o passageiro fazia sinal para pararmos. "A pasta! A pasta!" Qual pasta? - perguntei. O Mike, recordando a experiência de Cuba, não queria parar, mas lá o convenci a voltar para trás e descobrimos, no restaurante, que ele tinha deixado ficar a mochila com os dólares todos lá dentro! Ninguém tinha tocado em nada, e lá recuperamos a mochila intacta.
A caminho da Gabela paramos nas cachoeiras do Binga. Pensei que estariam sem água, mas tal não foi o caso - estavam cheias e belas! Tiramos fotos do miradouro e descemos à praia. Depois fomos à ponte nova e à antiga também. Só nessa noite, ao lermos o nosso guia, descobrimos a seguinte passagem: "Não ir ao miradouro depois da ponte, pois ainda está minado!" Pessoalmente, acho que desde que o livro foi escrito, muitos progressos têem sido feitos na desminagem (aqui o Mike contesta que é em grande parte graças à contribuição dele), já que nós fomos e ainda aqui estamos para contar a história!
A região da Gabela é muito bonita, a vegetação é abundante, tipo floresta de altitude, ou como os Peruanos chamam, "floresta das nuvens", e o verde contrasta de forma impressionante com o vermelho da terra. Infelizmente as ruas da Gabela estão a ser modernizadas e a poeira resultante também é impressionante, mas claro que isto é um aborrecimento de curta duração - quando as obras estiverem prontas, tudo será muito melhor! Na Gabela ficamos na única pensão e comemos no único restaurante.
No dia seguinte partimos em direcção à Conda. Pensei que desta vez é que ia perder o companheiro de viagem - pedregulhos enormes apareciam por todo o lado, todos possíveis de escalar. Paramos na pousada do Engelo e o Mike queria ficar por lá uns 2 dias - tive de explicar que se ficasse, ficava sózinho! Eu não faço escalada e sem internet o lugar não tinha atracção nenhuma!
Paramos na fazenda Rio Uiri, onde fomos muito bem recebidos e onde nos ofereceram um delicioso café e através deles o Mike descobriu que um dos pedregulhos já tinha sido escalado por um francês (imediatamente pediu nome e contacto).
Paramos em Vila Nova de Seles uns minutos e depois seguimos rumo ao Sumbe. Só que...na fazenda tinham-nos falado dos hipopótamos do Ebo! Fomos a ruminar até ao Sumbe, procuramos hotel e durante o jantar decidimos que no dia seguinte íamos de novo rumo à Gabela e além, procurar os tais hipos.
O Ebo fica entre a Gabela, a Quibala e o Wako Kungo. Passamos a Gabela e metemos por uma picada por 25km. O problema foi que, chegados ao Ebo, ninguém sabia onde estavam os hipopótamos!! Mas como? Afinal de contas, os bichinhos não passam despercebidos, nem se podem esconder atrás de alguma moita! Disseram para perguntar na Administração. Mas havia reunião de gente importante nesse dia e ninguém queria perder tempo connosco ou com os hipos. Depois de muitas turras contra muitas paredes desistimos e metemo-nos na picada, para mais 25km. A meio do caminho deparamos com uma senhora que, com o bebé às costas, ia a caminho da estrada principal, para apanhar o candongueiro para a Gabela. Demos boleia e contou-nos que está a educar 7 filhos sózinha (o pai deles anda entretido com outras mulheres) e que o mais velho quer estudar arqueologia no estrangeiro (ela não faz ideia com que dinheiro). Por ela descobrimos que bastava ter andado mais meia dúzia de kms e dado uma garrafa de vinho ao soba, para vermos os ditos hipopótamos! Decepção não ilustra nem de longe o que sentimos!
Nessa noite dormimos na Casa Branca em Porto Amboim.
Rumamos ao Sumbe, passando pelo desfiladeiro do rio Cubal, que continua impressionante. Tenho fotos tiradas lá há uns 40 anos - o desfiladeiro não envelheceu, não se nota a passagem do tempo, mas infelizmente o mesmo não se pode dizer em relação a mim!
Almoçamos no Sumbe, na marginal, mas como queríamos ir dormir à Gabela, não perdemos tempo. Tínhamos deixado o restaurante quando notamos que éramos seguidos por uma moto e o passageiro fazia sinal para pararmos. "A pasta! A pasta!" Qual pasta? - perguntei. O Mike, recordando a experiência de Cuba, não queria parar, mas lá o convenci a voltar para trás e descobrimos, no restaurante, que ele tinha deixado ficar a mochila com os dólares todos lá dentro! Ninguém tinha tocado em nada, e lá recuperamos a mochila intacta.
A caminho da Gabela paramos nas cachoeiras do Binga. Pensei que estariam sem água, mas tal não foi o caso - estavam cheias e belas! Tiramos fotos do miradouro e descemos à praia. Depois fomos à ponte nova e à antiga também. Só nessa noite, ao lermos o nosso guia, descobrimos a seguinte passagem: "Não ir ao miradouro depois da ponte, pois ainda está minado!" Pessoalmente, acho que desde que o livro foi escrito, muitos progressos têem sido feitos na desminagem (aqui o Mike contesta que é em grande parte graças à contribuição dele), já que nós fomos e ainda aqui estamos para contar a história!
A região da Gabela é muito bonita, a vegetação é abundante, tipo floresta de altitude, ou como os Peruanos chamam, "floresta das nuvens", e o verde contrasta de forma impressionante com o vermelho da terra. Infelizmente as ruas da Gabela estão a ser modernizadas e a poeira resultante também é impressionante, mas claro que isto é um aborrecimento de curta duração - quando as obras estiverem prontas, tudo será muito melhor! Na Gabela ficamos na única pensão e comemos no único restaurante.
No dia seguinte partimos em direcção à Conda. Pensei que desta vez é que ia perder o companheiro de viagem - pedregulhos enormes apareciam por todo o lado, todos possíveis de escalar. Paramos na pousada do Engelo e o Mike queria ficar por lá uns 2 dias - tive de explicar que se ficasse, ficava sózinho! Eu não faço escalada e sem internet o lugar não tinha atracção nenhuma!
Paramos na fazenda Rio Uiri, onde fomos muito bem recebidos e onde nos ofereceram um delicioso café e através deles o Mike descobriu que um dos pedregulhos já tinha sido escalado por um francês (imediatamente pediu nome e contacto).
Paramos em Vila Nova de Seles uns minutos e depois seguimos rumo ao Sumbe. Só que...na fazenda tinham-nos falado dos hipopótamos do Ebo! Fomos a ruminar até ao Sumbe, procuramos hotel e durante o jantar decidimos que no dia seguinte íamos de novo rumo à Gabela e além, procurar os tais hipos.
O Ebo fica entre a Gabela, a Quibala e o Wako Kungo. Passamos a Gabela e metemos por uma picada por 25km. O problema foi que, chegados ao Ebo, ninguém sabia onde estavam os hipopótamos!! Mas como? Afinal de contas, os bichinhos não passam despercebidos, nem se podem esconder atrás de alguma moita! Disseram para perguntar na Administração. Mas havia reunião de gente importante nesse dia e ninguém queria perder tempo connosco ou com os hipos. Depois de muitas turras contra muitas paredes desistimos e metemo-nos na picada, para mais 25km. A meio do caminho deparamos com uma senhora que, com o bebé às costas, ia a caminho da estrada principal, para apanhar o candongueiro para a Gabela. Demos boleia e contou-nos que está a educar 7 filhos sózinha (o pai deles anda entretido com outras mulheres) e que o mais velho quer estudar arqueologia no estrangeiro (ela não faz ideia com que dinheiro). Por ela descobrimos que bastava ter andado mais meia dúzia de kms e dado uma garrafa de vinho ao soba, para vermos os ditos hipopótamos! Decepção não ilustra nem de longe o que sentimos!
Nessa noite dormimos na Casa Branca em Porto Amboim.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Benguela e Lobito
Tínhamos pensado pernoitar no Lubango de novo, mas afinal chegamos tão cedo que decidimos continuar até Benguela.
Para mim, Benguela foi a cidade mais bonita da viagem. Nao falo de arredores, pois aí teria de ser o Lubango ou Namibe, mas cidade mesmo, encantou-me! Talvez porque me fez lembrar Luanda nos tempos da pós-dipanda, em que nem tudo era fácil, mas também não havia demasiado stress.
Adorei verificar que o mercado ainda lá está e os edifícios art deco também. As praias continuam lindas.
Encontramos a melhor pastelaria fora de Luanda e ficamos num hotal recentemente construído muito confortável, com internet e a um preço razoável, que desconfio é determinado pelo facto de se situar ao lado de uma igreja que insiste em ensaiar os hinos até atingir a perfeição - o que pelos vistos, garanto que demora bastante!
Depois de uma noite em Benguela mudamo-nos para o Lobito - juro que não foi por causa dos hinos!A saída de Benguela foi interessante, todo o mundo ia, não sei aonde, armado de cadeiras plásticas! Comício? Igreja? Não faço ideia, mas era engraçado ver os que iam de boleia nas motas, com os braços metidos nos braços das cadeiras (cadeiras às costas, tipo mochila).
Adorei a Restinga, onde fomos jantar, ainda cheia de edifícios antigos, todos restaurados e pintados. Ficamos alojados no Chik Chik 2, o irmão pobre do outro, mais barato (quinto andar sem elevador) mas com net. Ao contrário do irmão rico não tinha SPA nem ginásio, mas para quê? Depois de subir 5 andares a pé, o ginásio é totalmente supérfluo!
Para mim, Benguela foi a cidade mais bonita da viagem. Nao falo de arredores, pois aí teria de ser o Lubango ou Namibe, mas cidade mesmo, encantou-me! Talvez porque me fez lembrar Luanda nos tempos da pós-dipanda, em que nem tudo era fácil, mas também não havia demasiado stress.
Adorei verificar que o mercado ainda lá está e os edifícios art deco também. As praias continuam lindas.
Encontramos a melhor pastelaria fora de Luanda e ficamos num hotal recentemente construído muito confortável, com internet e a um preço razoável, que desconfio é determinado pelo facto de se situar ao lado de uma igreja que insiste em ensaiar os hinos até atingir a perfeição - o que pelos vistos, garanto que demora bastante!
Depois de uma noite em Benguela mudamo-nos para o Lobito - juro que não foi por causa dos hinos!A saída de Benguela foi interessante, todo o mundo ia, não sei aonde, armado de cadeiras plásticas! Comício? Igreja? Não faço ideia, mas era engraçado ver os que iam de boleia nas motas, com os braços metidos nos braços das cadeiras (cadeiras às costas, tipo mochila).
Adorei a Restinga, onde fomos jantar, ainda cheia de edifícios antigos, todos restaurados e pintados. Ficamos alojados no Chik Chik 2, o irmão pobre do outro, mais barato (quinto andar sem elevador) mas com net. Ao contrário do irmão rico não tinha SPA nem ginásio, mas para quê? Depois de subir 5 andares a pé, o ginásio é totalmente supérfluo!
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Pela Leba até ao Namibe
Depois de uma noite mal dormida pelo motivo abaixo mencionado, pusemo-nos a caminho. Fui praticando a EFT (Emotional Freedom Technique), a terapia que aprendi para me livrar do pavor das estradas de montanha, e dizendo a mim mesma que a estrada era muito boa, uma maravilha da engenharia e que tudo ia correr bem. Pagamos a portagem e começamos a descer. Imediatamente o meu pior pesadelo foi confirmado: acidente na Leba! Não connosco, mas o resultado estava lá, bem visível, para elevar os meus níveis de stress. Havia uma carrinha encarrapitada na barreira metálica de protecção e um camião cisterna virado. Era possível passar, mas a estrada estava alagada de gasóleo. O espaço livre era estreito, entre o camião e o precipício - contive a respiração, encolhi-me o mais possível como se isso tornasse o carro mais estreito, obriguei o Mike a experimentar os travões pelo menos umas 500 vezes, decretei um limite de velocidade de 10km/h e lá fomos descendo a serra, eu sempre com o pé pisando a fundo num travão imaginário! De quando em vez, camiões atrelados enormes ultrapassavam-nos a velocidades loucas, não abrandando nem sequer nas curvas. Várias vezes tive vontade de me apear e descer o resto a pé, mas contive-me por saber que mesmo a pé o pânico não me abandonaria - e duraria muito mais tempo!
Quando chegamos lá abaixo o alívio foi tão grande, que o meu corpo ficou todo molinho que nem caramelo derretido!
Aos poucos a paisagem foi mudando, as árvores rareando, os arbustos transformando-se em plantas rasteiras que por sua vez desapareceram para dar lugar ao deserto e finalmente entramos na cidade do Namibe. A dar-nos as boas-vindas, o poster do Kostadin.
O Namibe mostra muito poucas cicatrizes da guerra, em vez disso tem sinais de nada ter sido feito durante muitos anos. No entanto, gostei muito do facto de nada ter sido destruído e muitos edifícios estarem a ser restaurados. Há exemplos lindos de arte deco recentemente reparados e pintados.
Ficamos alojados no Hotel Moçamedes que infelizmente não tinha wi-fi, mas resolvemos o problema postando-nos no exterior do Chik Chik e "partilhando" a internet deles. Jantamos na marginal, onde tivemos a oportunidade de ver um lindo por do sol.
No dia seguinte fomos à procura do oasis do Arco - digo à procura pois no deserto é difícil seguir estradas não asfaltadas, tudo parece igual! Felizmente não nos perdemos. A lagoa está seca há 2 anos, segundo a senhora que nos serviu de guia, mas o lugar é muito bonito. Deixamos livros e lápis de cor, gasosas e caramelos para os garotos e voltamos à estrada principal rumo a Tombua, vila dedicada à pesca e conserva de peixe, que eu não conhecia. Voltamos ao Namibe, onde fui deixar 3 flores a uma amiga muito querida, que nos deixou mas não será esquecida.
No dia seguinte fomos passear até à praia Amélia e depois metemo-nos a caminho de Benguela. Pelo menos desta vez não houve precalços na Leba e como era a subir, o stress foi muito menor.
Quando chegamos lá abaixo o alívio foi tão grande, que o meu corpo ficou todo molinho que nem caramelo derretido!
Aos poucos a paisagem foi mudando, as árvores rareando, os arbustos transformando-se em plantas rasteiras que por sua vez desapareceram para dar lugar ao deserto e finalmente entramos na cidade do Namibe. A dar-nos as boas-vindas, o poster do Kostadin.
O Namibe mostra muito poucas cicatrizes da guerra, em vez disso tem sinais de nada ter sido feito durante muitos anos. No entanto, gostei muito do facto de nada ter sido destruído e muitos edifícios estarem a ser restaurados. Há exemplos lindos de arte deco recentemente reparados e pintados.
Ficamos alojados no Hotel Moçamedes que infelizmente não tinha wi-fi, mas resolvemos o problema postando-nos no exterior do Chik Chik e "partilhando" a internet deles. Jantamos na marginal, onde tivemos a oportunidade de ver um lindo por do sol.
No dia seguinte fomos à procura do oasis do Arco - digo à procura pois no deserto é difícil seguir estradas não asfaltadas, tudo parece igual! Felizmente não nos perdemos. A lagoa está seca há 2 anos, segundo a senhora que nos serviu de guia, mas o lugar é muito bonito. Deixamos livros e lápis de cor, gasosas e caramelos para os garotos e voltamos à estrada principal rumo a Tombua, vila dedicada à pesca e conserva de peixe, que eu não conhecia. Voltamos ao Namibe, onde fui deixar 3 flores a uma amiga muito querida, que nos deixou mas não será esquecida.
No dia seguinte fomos passear até à praia Amélia e depois metemo-nos a caminho de Benguela. Pelo menos desta vez não houve precalços na Leba e como era a subir, o stress foi muito menor.
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