segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Bye TAAG

Quando deixei a TAAG, fui trabalhar para a Astaldi – um emprego que me arranjou a minha amiga Gisela.
A Astaldi era uma companhia Italiana de construccao civil. Era uma companhia de servicos as petroliferas.
Posso afirmar, sem receio de engano, que foi um dos empregos em que mais aprendi. Talvez nao necessariamente coisas essenciais ou coisas que necessitava aprender, mas de qualquer modo foi muito educativo. Na Astaldi aprendi que as petroliferas constroem armazens para guardar lama. Alias era uma das maiores fontes de rendimento da companhia, os armazens de lamas. Ao principio ate pensei que tinha percebido mal, mas depois de ver a palavra em frances e em ingles nos documentos da companhia, tive de me render a evidencia e aceitar que era realmente isso que eles construiam: armazens de lamas!
La aprendi tambem que os Italianos precisam de escritorios espacosos – muito maiores do que aquele em que estavam alojados, na Rua Mouzinho de Albuquerque. Infelizmente, la espaco nao havia muito e o resultado era que o pessoal angolano estava sempre no lugar errado, entre 2 italianos, o que era bastante mau para a nossa saude, ja que quando eles conversavam nos tinhamos que evitar levar com os gestos deles na cara. O pior era que frequentemente eles nao conversavam, discutiam quase ao ponto de se atacarem fisicamente – e nao ligavam muito ao facto de nos estarmos no meio!
Na Astaldi aprendi Italiano, embora nao tivesse necessidade pois a lingua “oficial” era o frances. Mas eu sempre fui muito curiosa! O facto e que eles nos deixavam ir a loja italiana e era um pouco chato nao saber o que estavamos a comprar! Um pouco como quando fomos de ferias a Croacia ha 2 anos, e no supermercado a minha filha perguntou-me: “Precisamos de putar?” “Putar? O que e isso?” “Nao faco a minima ideia, mas a embalagem e bonita”. A outra razao que me levou a aprender a lingua, foi o facto de eu estar convencida que percebia bem o italiano, ate que um dia descobri que nao era verdade. Eles passavam a vida a dizer “pomeriggio” p’ra ca, “pomeriggio” p’ra la e eu convencidissima (por causa do frances) que isso tinha algo a ver com compota de maca! No dia em que descobri que era “periodo da tarde”, decidi que tinha de aprender a lingua. So que, a medida que o meu vocabulario aumentava, o meu conhecimento de palavroes aumentava em proporcao directa! Devo dizer que a maior parte deles eu nem em Portugues conhecia! Os vocabulario dos italianos com quem eu trabalhei ate faria qualquer habitante do Porto corar de embaraco!
Antes de deixar a Astaldi, fui a um jantar que o director ofereceu ao pessoal angolano. Foi a primeira vez que comi beringelas. Hoje gosto, mas aquelas nao tinham sido muito bem cozinhadas, estavam cheias de oleo, foi a pior coisa que ja comi na minha vida! Mas bem educada como sempre fui, engoli o que pude sem me queixar! Hoje quando convido alguem e me dizem que nao comem isto ou nao gostam daquilo (normalmente o menu completo do jantar), fico a pensar como em Angola, “la nas Africas” como muitos dizem aqui, mostravamos muito mais cortesia e boa educacao!

5 comentários:

asperezas disse...

Os encantos das comidas, sempre!
:-)

Como se diz beringelas em Italiano?

Flor disse...

Melanzana/e.
Poix, se fosse um homem a escrever este blog, haveria muito mais sobre as bebidas........cada qual tem as suas prioridades, ne?

asperezas disse...

MelanzZZZZane, magnífico nome.
:D
Melanzane bebem-se (rolleyes)?

Flor disse...

felizmente nao.

Humana disse...

Olá Flor,
cheguei aqui atraves do blog do Asperezas e li alguns textos que me trouxeram muitas recordações. Resolvi comentar aqui porque dizes que trabalhaste na TAAG. Será que conhecias o meu pai, o comandante Casanova?
Vou linkar o teu blog no meu e espero que não te importes mas se te importares diz, ok?
Levo para lá os blogs angolanos de que gosto. :D
Cumprimentos, Ana Casanova

My new "baby"

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